Crítica: 360


Para um filme ser considerado bom, o que é necesário? Um bom roteiro? Uma história bem contada, sem furos? Um bom elenco? Na minha opinião, tudo isso conta, mas tem mais um detalhe importante: você tem que gostar de ter visto o filme. É mais ou menos esse o problema que tive com 360. Ele tem tudo pra ser um filme bom, e possui boa parte dos requisitos citados, mas particularmente não consegui gostar muito dele. 

Não é por ser um filme difícil. Eu gosto desse estilo de várias histórias paralelas sendo contadas ao mesmo tempo. Magnólia e Simplesmente Amor são ótimos exemplos desse estilo de contar histórias. Mas pra mim ficou faltando alguma coisa. Talvez por quase nenhuma história ter sido aprofundada (mas isso é perdoado, senão ia ficar extenso demais) ou então porque as tramas são simples, baseadas quase todas em situações do cotidiano, que de tão comuns poderiam estar passando em algum especial de programas de TV. Sim, existe um "tema central" que seria as várias formas de amor em diversos tipos de relacionamento. O tema é complexo e todas as tramas abordam o assunto de diversas formas, mas novamente repito, faltou alguma coisa nessa química.

Talvez algumas das tramas possam empolgar você ao assistir, pois repito isso é apenas minha opinião puramente pessoal. Mas eu só gostei mesmo da última trama contada, que conseguiu reunir uma boa mistura de sentimentos e me fez torcer pelos personagens. Coisa que ficou um pouco longe de acontecer com as demais partes. As histórias mantém o interesse enquanto estão passando (algumas nem tanto), mas assim que acabam você não sente aquela vontade de que ela volte a ser aboradad no filme pra você continuar acompanhando. Algumas tramas são boas mas outras não fariam a menor falta se fossem cortadas como a de Jude Law e Rachel Weisz. Sei porque a trama está lá, compreendi que aborda o tema da traição, ter que conviver com a dor de ter traído, coisa e tal, mas não foi uma história que me agradou. Já a parte do presidiário interpretado por Ben Foster e do motorista russo com a eslovaca foram bem mais interessantes.

O elenco, como já disse, é muito bom. Atores como Anthony Hopkins, Rachel Weisz e Jude Law, todos já consagrados, alguns bons atores provavelmente russos e franceses e uma participação dos brasileiros Maria Flor e Juliano Cazarré (o Adauto da novela do OiOiOi). Apesar de pequena, ninguém faz feio. Mas também, não tinha como, já que suas histórias não permitiam explorar nenhum talento ou capacidade dramática. Como já dito, são situações comuns, que não exigiram ao meu ver um maior esforço para tais interpretações. Se bem que, como um grande apreciador do cinema nacional, fiquei muito feliz ao ver Maria Flor contracenando com Anthony Hopkins, que possui um bom monólogo no filme. 

360 te faz remeter a situação de 360 graus. Um giro completo. Voltar ao início. Isso fica ainda mais evidente ao notarmos que, de uma certa forma, o filme termina do mesmo modo que começa. Ou ao notarmos que nome do título aparece apenas quando o filme acaba. Então, gostaria muito de ter curtido mais o filme. Fernando Meirelles é um excelente diretor (exemplos são Cidade de Deus e Ensaio sobre a cegueira) e merece cada vez mais espaço no cinema nacional e internacional. Como ele próprio disse em uma entrevista, é um filme para poucos. Muitos irão gostar, muitos odiar e alguns apreciá-los, mas considerá-lo indiferente. Este último foi o meu caso.

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